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Posts Tagged ‘poesia’

penumbrina

era tudo escuridão. e. não hesitava.
tudo escuridão e chamava de alma.
e veio e não abriu janelas. ou adaptou
os olhos. e veio a esta alma
escura. e. trouxe cortinas.
era tudo escuridão. mas nas manhãs de
sol. clareava. era tudo escuridão. e
chamei de alma. e te vi. e penumbrina.
era tudo escuridão. mas passa.
e descobri que a amo. prendedora.
de. cortinas. [...]

uma boa coisa.

Existe um tipo de madrugada bastante especial - mas que não é especial pelos motivos da felicidade - que me fazem assistir ao Anemic Cinema de Marcel Duchamp de modo incessante. Pode se deduzir o quão complicadas são essas madrugadas. Porque me parece que existe algo de bastante sincero nessa repetição, ou melhor, parece que [...]

da fumaça dos olhos

gosto da fumaça dos corpos no frio.
gosto da fumaça dos cigarros nos filmes.
gosto da fumaça dos olhos no amor.

uma força de nada: - obrigado.

desde sempre existe apenas
o contínuo movimento. as dores
da vida fazem do movimento duas
coisas. daí temos dois movimentos.
aquele único do mundo. e aquele
outro. do peito. a vida segue
bem quando os dois movimentos
giram feito roldanas. o do
mundo. e o das dores. por vezes.
por vezes. por vezes. as dores giram
sozinhas. meio a esquecer do
mundo. nisso é que se [...]

do meu amor de sobretudo

a minha poesia acompanha
o meu corpo. ela fala extensa
com o ar que não possui.
ela desfalece na
vitalidade. que. me. deixa.
vivo. porque habita todas
as coisas que salvam
a vida. no amor.
de sobretudo.
do meu amor de sobretudo

molhado como quem sai do banho

resposta à carta de meu amigo Rogério
Rio de Janeiro, 02 de Agosto de 2009.
Querido Rogério,
realmente sinto algo diferente nesse poema “face ao demonstrado“. Sinto algo diferente na vontade de escrever. Estou mais preocupado em mostrar uma presença forte da poesia em tudo. Principalmente no ritmo pelo qual se fala ou se pensa. E quero [...]

reflexões sobre o branco

o branco é isso que se
derrama. por entre.
as letras. a pausa da
escritura. é. o. branco.
é. o. branco. aqui.
por entre as letras.
a quebra. deve ser respondido. ainda.
que. nem toda pergunta. mantenha um nome.
a quebra. é isso que interrompe o branco.
e depois o branco ocupa.
é isso que interrompe o branco. uma espécie.
de saliva seca engolida. o tempo [...]

face ao demonstrado

julgo face ao demonstrado
por todo branco que precede esta
escritura que tudo aquilo
que pode ser
dito. e tudo aquilo que pode ser dito
por qualquer pessoa no mundo. não pode ser
dito senão em poema. mas o assombro
marcado por esta afirmação.
não se deve ao argumento defendido pelo autor.
mas apenas que não ficam. evidentes. naquilo que se diz.
no mundo. as [...]

apenas.

apenas.
há dois tipos de
dias. apenas. dias de nuvens
escuras. atravessados por
raios de sol. e. dias de céu
claro. atravessados por
sombras. raios de sol. ou.
raios de sombra.
há dois tipos de
dias. apenas. dias de nuvens
escuras. atravessados por
raios de sol. e. dias de céu
claro. atravessados por
sombras. raios de sol. ou.
raios de sombra.
lindos. penumbrina. lindos.

e todo amor é ponto.

e todo amor é ponto.
existe uma ausência da qual
se fala. e essa ausência habita tanto.
mas habita fora. e. também. existe uma
ausência forte que se
sente na garganta. uma coisa na
garganta. no seu entorno. e. dentro.
um nó na garganta. essa ausência. é. fora.
essa ausência. é. fora-dentro.
o amor é feito dela. e. só. se. ama. na. ausência.
e todo [...]

minusc’ulisses

Apesar de toda a falta de necessidade é de Joyce que lembro quando penso no escrever. Ao tomar conhecimento dessa data chamada de Bloomsday fiquei encantado a ponto de escrever um poema. Porque intimamente há muito de Ulisses em mim. Esse poema saiu daqui para ir a um livro que ainda não publiquei, um pouco [...]

Yo-Yo Ma e meu vazio

herdo geneticamente o vazio.
o vazio me tem em gênese.
não sabia do vazio que tenho.
mas lembrei do vazio que sou.
não tenho um vazio espontâneo. tenho um vazio em arco.
um Yo-Yo me lembra deste vazio plano.
ai Yo-Yo que me joga no vazio da memória.
ai Yo-Yo. ai Yo-Yo.
herdo uma surpresa adulterina.
ai Yo-Yo. herdo um revólver ensandecido.
herdo um gatilho [...]

poema de amor à marca

pode-se pensar que existe algo que não seja escritura. mas isso seria dizer que existe algo que não é imagem. então tento dizer para os sem imagens que tudo o que existe é traço sobre traço e sobre traço. sobreposição de traços. estes traços são traços imagens. estas imagens são escritura. então tento dizer para [...]

verso à nóvoa

os outros me infernam.
inverno por inverno.
outon’almas (des)apareço. des(apareço).

de repente

não tenho nada. estou de repente.
certo que da cor não há mais que corte.
parece que só o de repente importa.
então, que importe.
porque de resto. de repente. apenas me importa o repente.
ou não me importa nada. ou me perca a letra.
de_repente_fica_a_ponte_e_morte.