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Posts under ‘poesia’

o menino k.

o menino k.
prólogo
ao contrário de meu querido amigo Oscar não considero que minha vida tenha sido um hospício, claro que sempre me assusto muito para discordar de Oscar, os seus gritos, ao pensar em contrariá-lo, assolam o meu ouvido, por dentro, como a única força da natureza verdadeiramente verdadeira. apesar da minha vida não ter [...]

minusc’ulisses

Apesar de toda a falta de necessidade é de Joyce que lembro quando penso no escrever. Ao tomar conhecimento dessa data chamada de Bloomsday fiquei encantado a ponto de escrever um poema. Porque intimamente há muito de Ulisses em mim. Esse poema saiu daqui para ir a um livro que ainda não publiquei, um pouco [...]

Yo-Yo Ma e meu vazio

herdo geneticamente o vazio.
o vazio me tem em gênese.
não sabia do vazio que tenho.
mas lembrei do vazio que sou.
não tenho um vazio espontâneo. tenho um vazio em arco.
um Yo-Yo me lembra deste vazio plano.
ai Yo-Yo que me joga no vazio da memória.
ai Yo-Yo. ai Yo-Yo.
herdo uma surpresa adulterina.
ai Yo-Yo. herdo um revólver ensandecido.
herdo um gatilho [...]

poema de amor à marca

pode-se pensar que existe algo que não seja escritura. mas isso seria dizer que existe algo que não é imagem. então tento dizer para os sem imagens que tudo o que existe é traço sobre traço e sobre traço. sobreposição de traços. estes traços são traços imagens. estas imagens são escritura. então tento dizer para [...]

verso à nóvoa

os outros me infernam.
inverno por inverno.
outon’almas (des)apareço. des(apareço).

de repente

não tenho nada. estou de repente.
certo que da cor não há mais que corte.
parece que só o de repente importa.
então, que importe.
porque de resto. de repente. apenas me importa o repente.
ou não me importa nada. ou me perca a letra.
de_repente_fica_a_ponte_e_morte.

poemas de amor

um poema de amor (1)
existem aqueles que
buscam. o que? que
buscam. o que? em todo canto
do mundo um poema de amor.
outro poema de amor (2)
existem aqueles que
perdem. o que? que
perdem. o que? com todo amor
do mundo um poema no canto.
terceiro poema de amor ou mais (3)
existem aqueles que. existem
aqueles que. existem aqueles
que. por todo amor do [...]

diálogos dos mortos

diálogos dos mortos
estou tão cansado.
cansado de quê?
da vida.
e como cansado da vida?
de viver.
e por que não morre?
porque não posso.
mas por que não?
porque não terminei.
de quê?
de viver.
e quando termina?
não sei. termina quando termina.
mas quando termina?
quando essa voz na minha cabeça se calar.
mas que voz?
você.
quer que eu me cale?
ainda não. ainda não terminei.

o branco do olho

o branco do olho
se entre o branco e a letra
existe um abismo.
o que falar então? deixar falar
pois não? silenciar o não?
o que falar do entre uma
página e outra? lá. antes. estava
a ferver imagens. lá. depois. estou
a pintar o mundo. suas crenças.
e cá. assim. esta página em branco
a me fazer corar de brandura contra
o branco tão [...]

um precioso presente do amigo sizenando


ele que olha o abismo do branco

ele que olha o abismo do branco.
tem uma cabeça em chamas.
mas por que chama o abismo de branco?
porque tudo o que não é letra é abismo.

dos acidentes

dos acidentes (6)
isso que parece sangue no meu dedo: é sangue.
isso que parece corte na minha carne: é corte.
isso que parece morte na minha alma: é morte.

do eu e do tu

do eu e do tu (6)
desfaço-te pedra por pedra
sobre o tampo de vidro.
desfaço-me pedra por pedra
sobre o tampo de vidro.
e de tanto cair quebramos o vidro.
e de tanto cair quebramos o vidro quebrado.
e de tanto cair quebramos o vidro quebrado do vidro.
e de tanto cair restamos pedra sobre pedra.
e vidro quebrado de vidro. e uma
coisa [...]

do falar e do calar

do falar e do calar (4)
e eu racionalista pergunto:
onde calo?
na boca.

de quando se conhece o pai

de quando se conhece o pai (5)
ai tempo. ai tempo. ai tempo.
ai tempo. ai tempo.
ai tempo.
ai tempo. ai tempo.
ai tempo.
ai tempo. ai tempo.
ai tempo. mil vezes ai tempo.
por que me devora por dentro?
ai tempo.
ai tempo.
ai tempo.
por que [...]

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