“Que bom te ver viva”: vergonha pela coragem alheia
De tempos em tempos se discute a tortura no Brasil até que não se discute mais, o que nos leva a crer que ela é discutida não segundo o molde de uma sociedade que escuta, mas no molde de uma sociedade que precisa de pequenas catarses, [...]
Posts under ‘crítica de arte’
“Que bom te ver viva”: vergonha pela coragem alheia
Especial ARCO 2010
Acontece nesses dias de agora a feira de Arte Contemporânea de Madrid (ARCO). Dentre os artistas portugueses e brasileiros levados à feira pelo galerista português Carlos Carvalho tive a oportunidade de escrever sobre alguns deles. Se não me engano a feira termina amanhã, domingo, dia 21 de Fevereiro. Então, aproveito o momento para lembrar dos [...]
Manuel Caeiro: os objetos pictóricos
Manuel Caeiro: os objetos pictóricos
(em razão da inauguração da exposição portuguesa, publico novamente esta crítica)
Desde que o arguto Descartes descobriu a consciência, tornou-se uma atividade intelectual bastante comum encontrar formas geométricas na experiência. No sentido de encontrar a verdade por trás da sensibilidade. Atividade essa passível de ser descrita pela colonização da sensibilidade pelo claro [...]
Estética da Tortura: sobre “A História Oficial” de Luiz Puenzo
Mas, qual é a estética da tortura? Ela nos remete a ambientes brancos de assepsia, quando pensamos na tortura médica. Naquela que orienta a política por enunciados pseudocientíficos e que se vale dos oponentes do regime (oponentes étnicos ou ideológicos) para experimentar crueldades. Ou a porões sujos, ambientes sombrios, de paredes mofadas e rudimentos de [...]
Estética e Política: Georges Didi-Huberman
Gosto bastante do trabalho de George Didi-Huberman. Em momentos distintos trouxe material de conferências dele, alguns vídeos. Agora, encontrei mais esses dois novos vídeos. Ainda não os assisti com muita atenção, mas deixo aqui para encontrá-los com mais facilidade depois. Como um arquivo, mas que também é céu aberto. Como um objeto que posso deixar [...]
O mal sem abrigo: o Anticristo de Lars Von Trier
O mal sem abrigo: críticas ao Anticristo de Lars Von Trier
Obrigo-me a fazer alguns comentários sobre o Anticristo do diretor Lars Von Trier. Na verdade tornarei as coisas um pouco mais tendenciosas para que se possa saber o que esperar dos meus comentários e depositar um sentido tendente em cada uma das minhas letras: comentarei [...]
Da pele sobre a cor
Da pele sobre a cor
“Toma um fósforo. Acende teu cigarro”. Reza a lenda que na primeira edição de seu livro de poema, Augusto dos Anjos, sem dinheiro para mandar imprimir a capa, fura o dedo e com o sangue escreve “Eu”, ao que temos o título do livro, ao que temos um rosto de papel [...]
Da pele sobre a cor: batom e sangue em Fernanda Figueiredo e Edu Mattos
Da pele sobre a cor: batom e sangue em Fernanda Figueiredo e Edu Mattos
(08/10/2009 – Movimento Arte Contemporânea)
“Toma um fósforo. Acende teu cigarro”. Reza a lenda que na primeira edição de seu livro de poema Augusto dos Anjos sem dinheiro para mandar imprimir a capa fura o dedo e com o sangue escreve Eu, ao [...]
Algumas idéias de filosofia política, pensadas por causa do UP - Altas Aventuras, de Pete Docter
Algumas idéias de filosofia política, pensadas por causa do UP - Altas Aventuras, de Pete Docter
O velho camarada Adorno manifestava sérias ojerizas à indústria cultural, e todas as suas razões eram, e são, boas razões, primeiro, porque a indústria cultural nos condiciona a idiotia da regularidade, segundo, porque faz dos artistas espécies muito constrangedoras de [...]
Celebração numa época fraturada: Ronaldo Brito sobre Henri Matisse
Por vezes devemos ter a humildade de não enunciar e apenas citar:
Celebração numa época fraturada
RONALDO BRITO
Matisse é o grande disponibilizador de mundo da arte moderna. Nenhuma essência trava a livre desenvoltura das aparências em seus quadros. Brilha aí a única verdade definitiva ao alcance do eu moderno: o mundo é inacabado, nunca terminamos de vê-lo [...]
uma boa coisa.
Existe um tipo de madrugada bastante especial - mas que não é especial pelos motivos da felicidade - que me fazem assistir ao Anemic Cinema de Marcel Duchamp de modo incessante. Pode se deduzir o quão complicadas são essas madrugadas. Porque me parece que existe algo de bastante sincero nessa repetição, ou melhor, parece que [...]
Henri Dutilleux: olhos levemente lacrimejantes e sutilmente serrados
Henri Dutilleux: olhos levemente lacrimejantes e sutilmente serrados
Afirmar que as modalidades de crítica estão todas muito próximas, uma vez que se pode reconhecer a visualidade da música, a pictorialidade dos sons, a imagética da escritura, e a escritura das imagens naquilo que antes precisávamos seccionar para entender, é muito salutar. Mas a crítica também deve [...]
Manuel Caeiro: os objetos pictóricos
Manuel Caeiro: os objetos pictóricos
Desde que o arguto Descartes descobriu a consciência, tornou-se uma atividade intelectual bastante comum encontrar formas geométricas na experiência. No sentido de encontrar a verdade por trás da sensibilidade. Atividade essa passível de ser descrita pela colonização da sensibilidade pelo claro e distinto. Por certo, antes de Descartes os gregos encontravam [...]
Lena Bergstein: a profundidade da marca e as cores do tempo
Lena Bergstein: a profundidade da marca e as cores do tempo
[Confira: Lena Bergstein, "Relatos" --- de 18 de julho a 05 de setembro (terça a sexta, das 12h às 18h; sábado, das 12h às 17h) --- Rua Luís de Camões, 2, Sobrado, Largo São Francisco --- Rio de Janeiro, RJ]
A duração das imagens evita o [...]
como quem goteja no infinito
A crescente fusão dos modos artísticos, nisso que arte contemporânea denomina de dissolução do aspecto definidor dos elementos formais, acaba por obrigar a crítica de arte a abandonar parte de sua segurança. A segurança pode ser descrita nos seguintes termos: uma vez que me torno disponível a certo tipo de experiência, produzo uma linguagem com [...]


