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Posts from ‘February, 2010’

A outra modernidade de Hume: causalidade e gosto moral

A outra modernidade de Hume: causalidade e gosto moral
(ensaio publicado na Revista Ciência Hoje, mas na versão completa)
David Hume não é um filósofo da linguagem, mas a sua obra inaugura a preocupação com as regras e com as convenções que afetará a filosofia analítica. Hume não é um filósofo transcendental, estritamente falando, mas a sua [...]

Um velho hábito

O palhaço Calvino, personagem de Chaplin, que sofre com o amor pela bailarina Thereza, no filme Luzes da Ribalta, acaba por dizer, na última cena, um pouco antes de morrer: – Eu acredito que estou morrendo, mas não tenho certeza. Eu já morri tantas vezes. Onde ela está? Eu quero vê-la dançar. A explicação, para [...]

Especial ARCO 2010

Acontece nesses dias de agora a feira de Arte Contemporânea de Madrid (ARCO). Dentre os artistas portugueses e brasileiros levados à feira pelo galerista português Carlos Carvalho tive a oportunidade de escrever sobre alguns deles. Se não me engano a feira termina amanhã, domingo, dia 21 de Fevereiro. Então, aproveito o momento para lembrar dos [...]

e restei morto pro resto da vida

decidi escrever de trás para
frente. mas não sou a primeira. ou.
a terceira pessoa a escrever.
achei que encontrara seu
guarda-chuva. ele estava encoberto.
era o cabo do meu. não do seu.
decidi escrever de três para
frente. mas não sou a primeira. ou.
a terceira pessoa a escrever.
o seu guarda-chuva se carrega
para dentro da minha vida
torrencial. aos meus cani. vetes. de. [...]

Da instituição de pontes, ensaio sobre Hume-Spinoza

Da instituição de pontes
por Cesar Kiraly
Posto que o pensamento é uma imagem, o que nos faz buscar sempre imagens do pensamento, algo, talvez, que se pode denominar de uma imagem dialética, parece legítimo, pois, buscar a ligadura entre as imagens, entre as representações, entre os discursos, e se a ligadura entre idéias pode receber o [...]

se tivermos silêncio

sabe amor, quando eu era
novo, um desconhecido arrancou
minhas orelhas. e delas num
saco. fez um peso para que
eu carregasse nos bolsos. e toda
vez em que preciso escutar
lembro do arrancamento e do peso.
e todo som de voz me encontra.
um. pouco. ressentido. de. sentir.
deslocado. dos. bolsos. para. o.
lado. da. cabeça. assim. sabe,
amor? se tivermos silêncio
me coloque uma música;
porque [...]

Infinito e Ilimitado na filosofia política

Da instituição do temor e do tremor
Introdução
A preocupação psicanalítica com a crença nos leva a buscar as suas inscrições arqueológicas no pensamento filosófico. Encontramos uma relação bastante estreita entre a crença e o pensamento soberano. A crença é utilizada para pensar no âmbito político formas de onipotência predicadas com a idéia de infinito. Mas a [...]

Margarida pediu one trago.

Raimundo diz:
mas eu te amo Margarida.
Margarida diz:
preciso ler para crer.
Raimundo diz:
acredita em tudo o que lê?
Margarida diz:
não, mas preciso ler para crer.
Então, Raimundo acendeu um cigarro e pensou:
“Como este Rasgo na minha garganta que de tempo em tempo volta a abrir, o rasgo da minha alma deve voltar a cicatrizar, sozinho”.
Margarida pediu one trago.

da caixa de música

gato. se todo gato.
preso. e bem. dentro de
casa. então. fiquem
os gatos presos. em
casa. se eles jogam
a caixinha de música
no chão. e a quebram
em 5 pedaços. 4 encontra-
dos e um perdido. então.
ficam os gatos presos.
em casa. e na caixinha.
era. a internacional
socialista que tocava.
vamos sair. amor.
deixe trancado. os
gatos. uma casa
não é um pulmão.
a vida é mais que
asma. [...]