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o atemorizante humor da crença

Há tempos, nem tanto tempo assim, publiquei uma crítica sobre um trabalho de Nachtergaele que julguei genial. Um excesso de genialidade que poderia demorar uma vida para aparecer, mas eis, pois, a ironia, que essa genialidade surgiu densa e necessária à juventude de um diretor. Todavia, como sempre, o riso me passou despercebido, mas é necessário atentar para o humor, composto de matizes singulares. O que Nachtergaele comentou nessa última edição do caderno #Mais fez-me pensar que mais uma vez esqueci o atemorizante humor da crença.

Tudo Bem

MATHEUS NACHTERGAELE
ESPECIAL PARA A FOLHA

Tudo Bem” [Versátil Home Vídeo, R$ 39,90], de Arnaldo Jabor, é um dos meus filmes brasileiros prediletos. O retrato ácido e louco de uma família de classe média que reforma seu apartamento nos dá, de forma lúdica e visceral, a exata dimensão da relação entre as classes no país. O filme flerta com o absurdo, com Nelson Rodrigues, e o painel dos personagens é deslumbrante. Atores como Paulo Gracindo, Fernanda Montenegro, Zezé Motta, Fernando Torres, Stênio Garcia, José Dumont, Luiz Fernando Guimarães e Regina Casé revezam-se em situações hilariantemente desconcertantes.
Um espetáculo de talento e conteúdo a cada cena dessa obra genial, que nos provoca o melhor dos risos: o de espanto e terror.

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