não tenho nada. estou de repente.
certo que da cor não há mais que corte.
parece que só o de repente importa.
então, que importe.
porque de resto. de repente. apenas me importa o repente.
ou não me importa nada. ou me perca a letra.
de_repente_fica_a_ponte_e_morte.
Posts from ‘May, 2009’
de repente
poemas de amor
um poema de amor (1)
existem aqueles que
buscam. o que? que
buscam. o que? em todo canto
do mundo um poema de amor.
outro poema de amor (2)
existem aqueles que
perdem. o que? que
perdem. o que? com todo amor
do mundo um poema no canto.
terceiro poema de amor ou mais (3)
existem aqueles que. existem
aqueles que. existem aqueles
que. por todo amor do [...]
diálogos dos mortos
diálogos dos mortos
estou tão cansado.
cansado de quê?
da vida.
e como cansado da vida?
de viver.
e por que não morre?
porque não posso.
mas por que não?
porque não terminei.
de quê?
de viver.
e quando termina?
não sei. termina quando termina.
mas quando termina?
quando essa voz na minha cabeça se calar.
mas que voz?
você.
quer que eu me cale?
ainda não. ainda não terminei.
mulher com a garganta cortada
mulher com a garganta cortada.
Giacometti, 1932
o branco do olho
o branco do olho
se entre o branco e a letra
existe um abismo.
o que falar então? deixar falar
pois não? silenciar o não?
o que falar do entre uma
página e outra? lá. antes. estava
a ferver imagens. lá. depois. estou
a pintar o mundo. suas crenças.
e cá. assim. esta página em branco
a me fazer corar de brandura contra
o branco tão [...]
Raymundo Faoro: criar e habitar fantasmagorias
Raymundo Faoro: criar e habitar fantasmagorias
O trabalho investigativo de Raymundo Faoro se inscreve na tradição brasileira de verter fenômenos nacionais, em regime discursivo próprio à teoria social alemã. Como é bastante sabido; essa disposição encontra abrigo também em alguns ensaios de Sérgio Buarque de Holanda, principalmente em Raízes do Brasil e nos trabalhos de Caio [...]
ele que olha o abismo do branco
ele que olha o abismo do branco.
tem uma cabeça em chamas.
mas por que chama o abismo de branco?
porque tudo o que não é letra é abismo.
dos acidentes
dos acidentes (6)
isso que parece sangue no meu dedo: é sangue.
isso que parece corte na minha carne: é corte.
isso que parece morte na minha alma: é morte.
A inegociabilidade da experiência
De todas as dúvidas que temos, e não há que se falar de uma vida sem dúvidas, não precisamos nos preocupar com uma possível, a experiência sempre falará gritando. Existe uma intensa inegociabilidade entre a experiência e o corpo. E, por isso, penso em Valéry, mas mostro Man Ray, não há que se duvidar acerca [...]
