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remnants of sun

remnants of sun

i
como imãs retorcidos as pessoas que sofrem
se procuram para zombar dos sorrisos. eu mesmo.
que não sou tão infeliz. procuro no retorcimento a atração
de boas conversas choradeiras de pitangueiras cotoveleiras.
como plantas de ferrugem. aqueles que tem dor. trocam.
olhares. em todo o lugar. não importa o desterro. a presença
ou ausência de lágrimas. pessoas que sofrem não
escolhem para sofrer. mas como sofrem. porque sofrer
sozinho? as pessoas que sofrem. apesar de toda a
magnética. do retorcimento e do desterro. são muito
sozinhas. o mundo do sozinho é um mundo sozinho.

ii
o mundo do sozinho são oitenta
mundos em volta e dia e noite e dia e noite
e clique de apaga a luz, acende, apaga a luz,
acende, em oitenta mundos de volta e dia e noite.
e clique de apagar. queimou a lâmpada: pombas.

iii
mais inusitado do que sair de casa e ir ao banco e atravessar a rua. e não ver carros. este mais inusitado não existe. mas o inusitado pode ser vencido pelo cotidiano. então posso ver muitos carros bem longe. de um lado. e do outro lado. mas com uma faixa de intervalo. no centro. dois velhinhos. parecem velhinhos independentes em velhice e não velhinhos em casal. a velhinha corre muito. toda a intensidade do correr habita aquelas perninhas de velhinha. com bermuda. mas parece que não sai do lugar. a velhinha é um pouco torta para a direita de quem vê. e carrega na cabeça. segurando com as duas mãos. uma folha de jornal na cabeça. para se proteger da chuva de meteoros representada pelo sol contra aquela pele encarquilhada. do velhinho não sei bem. estava no canto do meu olho esquerdo. mas contava em voz alta os segundos restantes para o sinal abrir.

iv
olhos bem arregalados.
ventania.
olhos um pouco fechados.
serraria.
olhos um pouco abertos.
arearia.

v
então uma senhora bonita e feliz como uma adulterina acena para um homem bonito e feliz com um adulterino. adulterinos viúvos talvez. os mais bonitos e felizes. o velho vê e sorri. a velha entende e sorri. o velho vem e sorri. a velha espera e sorri. o velho beija e sorri. a velha beija e sorri.

vi
a covardia é
mais vaidosa do que
a bravura.

vii
e para todo o sol. eu entrego um muro alto de pedras bem machucadas. como é machucada a pele. e para todo o sol entrego uma derrota de cabeça em pano. dois rasgos no corpo. uma corda no pescoço. para todo sol cavalete. para todo sol covalente. para todo sol convalescente remanesço mortovivente. e toda areia no meu olho. e toda areia no meu olho. e toda areia no meu olho. não me ensina a chorar um deserto.

vai anselmo. traga-me um lamento
com esse muro de areia. pois sinto. a
estancar-me as veias. esse sol. de janeiro.

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