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Variações sobre o artigo de Paulo Herkenhoff em defesa de Carolina da Mota

Poucas pessoas gostaram da última curadoria da Bienal de São Paulo. Por cinismo gostei mais das discussões do que da curadoria. O gosto, sob algumas alterações conceituais, ainda consiste numa categoria importante para se discutir artes visuais, mas, nesse caso específico, não creio que deve ser invocado. Para todos os efeitos a discussão em torno da última Bienal se tornou mais política do que artística. Mas a arte não tem que ver com política, com sociabilidade? Penso que sim, mas creio que estamos diante de alguns problemas de ordem sumamente institucional. Pensar em instituições de arte é alguma coisa mais complicada do que pensar em instituições políticas tout court, porque nas instituições de arte o elemento essencial das instituições surge num estado de vociferância não aplacado pela idéia de tradição. Esse elemento de vociferância, presente em todas os modos institucionais, contudo bastante vívido nas instituições de arte, consiste no fato de que nas institucionais da arte temos a clara dimensão de que as ações humanas de instituir são marcações de significações sobre o tempo.

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