uma queimadura
da leitura surge a necessidade
de marcar as páginas com canetas
pretas ou azuis. escolho a marca azul.
apenas ela. mas algo na escritura me engana.
e percebo que o risco preto foi mais esperto. mais veloz.
não tenho como voltar atrás. desmarcá-lo.
finjo que é o risco certo. lhe forneço alguma convicção.
para que as marcas que produzo.
não cheguem a me desapontar.
a vontade é marcar a página. bem no canto.
com o meu cigarro aceso. a vontade é marcar bem no canto.
o que não seria marca. mas queimadura. daquelas das imagens que fervem.
devo marcar a queimadura com o cigarro novo (?) com o cigarro velho (?)
então façamos como quem luta contra o sono.
queimemos um pouco esse livro. para encontrar a minha mão.
por detrás das páginas brancas puras.
e marcados seremos. a minha mão. e a minha página.








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