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Eu e multidão

Gostaria de começar a dizer a partir de mim mesmo. Por isso, começo com a primeira pessoa do singular, um tanto oculta, aquela que mais me afirma e mais me despertence. Não é recomendável nada iniciar com a primeira pessoa do singular, porque a aparente estabilidade, pressuposta, dos enunciados, perde-se completamente nas camadas do Eu. Apenas quando o Eu se identifica com algum enunciado intelectual, dito sem o Eu, porque se o Eu é uma afirmação não pode ser pressuposto para afirmar, pode pertencer a si mesmo. Contudo, toda vez em que o Eu pertence a si mesmo, o que acontece é que não estamos mais a falar da experiência de se tornar si mesmo, mas de certo conjunto de experiências significativas desde o enunciado intelectual, ele precisa ser identificado com o predicado da invenção, a predicação é o duplo afastamento do Eu (o primeiro é a estabilização do Eu para que possa se identificar consigo mesmo), as mais tradicionais são o Eu lógico, o Eu psicológico e a consciência. Falar pela primeira pessoa do plural também não afasta do turbilhão, ainda, aparentemente, procure lidar com ele, com quem admite a esquizofrenia do Eu, mas o pertencimento a multidão, quando conhecida, consiste numa espécie de multidão psicológica, multidão consciência ou multidão lógica. O melhor é predicar, ou não predicar, deixando que o sujeito venha de roldão.

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