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Os estudantes estão vivos

Os estudantes estão vivos: o caso Universidade de Brasília (UnB)

Esse é o evento, possivelmente, mais importante da vida política brasileira das últimas décadas. Depois da Constituição da República de 1988 e da eleição do presidente Lula: a vitória dos estudantes da Universidade de Brasília pode ser vista como uma das vitórias políticas mais relevantes da sociabilidade brasileira. Porque não se trata apenas de afastar um tipo de administração bastante comprometida, mas é o esforço de mobilização e de direcionamento de demandas relevantes. Os estudantes se organizaram, invadiram, discutiram e venceram. Estranho é pensar que a invasão da reitoria da Universidade de São Paulo tenha produzido tanto horror em professores amantes da ordem, em detrimento do exercício da mobilização. Mas dessa vez, a despeito do horror produzido nos mais conservadores, a possibilidade de vitória política nos mostra: estamos vivos e somos produtores da sociabilidade que habitamos. Não se trata apenas de condução histórica acerca dos rumos harmônicos (nunca existentes), como nós brasileiros estamos habituados a aceitar, trata-se de mobilização popular, demanda e vitória. Espero que a vitória dos estudantes da Universidade de Brasília sirva de exemplo para todos os demais estudantes do Brasil que são vítimas de administrações universitárias mobilizadas por interesses pessoais fraudulentos, ou aquelas mobilizadas por interesses públicos, mas que possuem práticas de centralização autoritária. O conselho é: se a administração universitária é fraudulenta, orientada para o personalismo ou centralizadora: invadam reitorias, discuta-se, peça-se a composição de novos conselhos e tomem as direções dos rumos institucionais. A Universidade é a centelha da vida política livre, pois a Universidade é o espaço, por excelência, onde a liberdade é inventada. Por isso, descentralização universitária, segurança para os professores e mobilização dos alunos: hoje e sempre. Nós brasileiros estamos começando a acertar.

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0 Comments on “Os estudantes estão vivos”

  1. #1 Santana, Antonio San
    on Apr 16th, 2008 at 2:10 pm

    César, bom dia.
    Entendo que os estudamtes de Brasilia, com sua atitudes demosntraram que o corpo discente de uma universidade tem como demosntar sua força e indignação por um Brasil melhor. Alunos que entendem que ficando quietos estão ajudando, por vezez não estão refletindo quanto a realidade de abusos cometidos por quem detém o poder administrativo e fazem valer suas vontades próprias sobrepondo os interesses sociais relevantes.
    Lembremos que foram alunos comos estes, que no passado fizeram com que a ditadura fosse “enfraquecida” e motivo de vergonha para o ditadores.

    Santana - Pós graduando em penal e processo penal pela Uni- Anhanguera - Taubaté

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  2. #2 Cesar Kiraly
    on Apr 16th, 2008 at 10:06 pm

    antonio, concordo inteiramente. um abraço.

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  3. #3 ckiraly
    on Apr 17th, 2008 at 12:58 am

    Prezado Santana,

    concordo com você, plenamente.

    Um abraço,

    Cesar

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  4. #4 Rogério Silva
    on Apr 22nd, 2008 at 12:02 pm

    Em meados do ano passado já discutíamos essas questões, quando da invasão à reitoria da USP http://freudexplicablog.blogspot.com/2007/07/polemica-nas-un-iversidades.html. Os motivos nem sempre são os mesmos, porém as atitudes indicam um grau de amadurecimento.
    Não se política sem enfrentamento
    Abraços Rogério

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  5. #5 Rogério Silva
    on Apr 22nd, 2008 at 12:04 pm

    Eu quis dizer: Não se faz política sem enfrentamento.

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  6. #6 ckiraly
    on Apr 24th, 2008 at 2:30 pm

    Oi grande amigo Rogério,

    Eu acho que é a mesma questão, sobre a qual conversamos, na época dos acontecimentos da USP, a única diferença é que nos eventos da USP, como não podia deixar de ser, houve uma extrema mobilização conservadora, contra o direito de manifestação e determinação dos rumos institucionais; Brasília, penso, foi a bela resposta. Se os intelectuais de Estado não desejam a política, a política acontece de todo modo, não se pode impedir a inventividade e a liberdade, pelos pesares da autoridade intelectual. Antes dos pensadores: o pensamento.

    P.S. Postarei um poema sobre o envelhecimento, sei que tem pensado muito nessas questões, espero que lhe dê algumas coisas, outras, tantas, para pensar.

    Um abraço,

    Cesar Kiraly

    [Reply]

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