Com essa engraçada história ficamos diante de um problema: de uma certa forma seguimos hábitos e regras para conduzir nossas opções. Essa relação, em última análise, está fundada no fato de que acreditamos que conduzir o futuro conforme o passado seja melhor. Mas melhor por quê? Porque se o futuro for conforme o passado pelo menos saberemos o que esperar. Ao mesmo tempo em que algumas doses de incerteza nos assusta, parece que doses muito altas de certeza também nos incomoda. Seria o caso de pensarmos: se não tivéssemos macacos novos para surrar? Como farÃamos? Um velho amigo de Montaigne, o genial Étienne de la Boétie escreveu o Discurso Sobre a Servidão Voluntária, defendendo que para além dos mecanismos que nos condicionam, queremos a servidão. Cabe perguntar: a interpretação da necessidade de hábito é sempre uma servidão? Se a resposta for titubeante, precisaremos saber, quais as doses de certeza que são próprias ao servilismo, quais são próprias à criatividade?









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