Comentar o trem envolve uma certa dimensão pragmática do pensamento. Sermos pragmáticos consiste em sermos burros? Se tomarmos o pragma em sua boa acepção, perceberemos que pensar é pragmar algo, ainda que seja uma intuição, ou uma observação e até mesmo uma narrativa. Pensar envolve pragmar a dispersão em unicidades provisórias, ainda que para lançar em uma nova dispersão, a da re-elaboração criativa. Esse radical pragma, como quase todas as coisas de que tenho notÃcia, advém de uma noção grega decorrente do termo pragmatikós, qual seja, a que indica a existência de uma sorte de atos que devem ser levados a cabo. De maneira que o homem pragmático é aquele que percebe que uma espécie de ação deve ser praticada, ao perceber a ação, possui, também, a capacidade de se precipitar em ato. Para uma dimensão filosófica da pragmática, devemos indicar que o filósofo pragmático percebe a existência de uma sorte de idéias que devem ser pensadas, e, para além da determinação conceitual, é capaz de produzir o conceito. A pragmática está envolvida, dessa forma, com a capacidade criativa e o núcleo da pragmática está envolvido com o conceito criado. O conceito criado é o pragma. De modo que pragmar consiste em produzir um conceito na percepção da necessidade de produção de uma nova maneira de abordar os fenômenos. Compreendemos que o fato de PolÃbio ter se servido do termo pragmática para descrever a sua atividade historiográfica; fundada na observação de homens, instituições e, pasmem, ócios; em contraposição à historiografia mitológica, agrega mais um valor à determinação dos pragmas da vida social e ao desenvolvimento de modos de pragmar a experiência em invenção. Ou talvez criatividade. Sermos pragmáticos não consiste em sermos burros, sermos pragmáticos com relação ao trem indica, que percebemos, que devemos quebrar o trilho e encontrar outro caminho.









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