Continuemos, pois, na tarefa de aprender a postar e a ser lido no momento da postagem. Alguns podem ficar perplexos acerca da expressão aprender a ser lido, mas creio que o saber escrever, cativar pelas linhas é uma dificuldade tão gritante quanto o aprender a ser lido. Ser lido não significa apenas a benevolência dos leitores que habitam o seu texto, ou a necessidade de comentários sobre os devaneios daquele que grafa letras, ser lido possui uma dimensão subjetiva, de apreender na experiência que seus textos são tão do mundo quanto seus, ao mesmo tempo em que são seus, muito mais do que do mundo. O ato de experimentar o ser lido abarca o sentimento de que devemos mudar de rota, de que devemos incorporar a crÃtica, de que o desnudar da escrita implica em uma nudez pública, absolutamente frágil. Não me surpreende nem um pouco a escritora austrÃaca que sofre, terrivelmente, de pânico; compreendo que o aprender a ser lido é muito próximo da experiência do pânico e o apavorar-se pela presença alheia pode ser a cicatriz de todo escritor; talvez o paradoxo do escritor seja que nenhum outro ser humano demanda e depende tanto do mundo e nenhum outro ser humano possui tanto pavor do mundo, pode ser que o pânico não se consolide no quarto escuro; mas um axioma retiro do quarto escuro, todo pânico escrito é um modo de estar com o mundo.









0 Comments on “Sobre o pânico: da luz e do escuro”
Leave a Comment